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O Arrependimento

Caros amigos, eu gostaria de estar aqui só para contar coisas boas e lindas histórias, mas infelizmente, nem sempre

é assim.

Em uma noite gostosa, eu resolvo ir trabalhar na Boate. Peço

uma água tônica com limão, eu sempre peço a mesma coisa.

Nunca bebo em serviço, gosto de saber o que estou fazendo.

Curto a banda, não chego em ninguém. Penso que o homem

gosta de caçar e não de ser caçado. Fico sempre na minha.

De repente, um moreno se aproxima e fica me secando, eu

olho para ele e penso, será mexicano? Argentino? Boliviano? Porque em minha opinião, todos têm a mesma cara.

Ele puxa conversa. Se tratava de um boliviano. Ele faz algumas perguntas, como qual o meu nome? Se eu trabalho na

casa e como funciona? Eu explico: é $$ por 2 horas, mais a

comanda que custa $ e mais uma água tônica, porque foi só o

que eu consumi.


Nessa Boate ninguém ganha por bebida ou por fazer alguém

beber, cada um paga o que consome e se tirar a mulher, paga a

comanda e o que ela consumiu.

Como eu não bebo, não dou prejuízo, e como eu não tenho

saco para aturar bêbado, quanto antes sairmos da casa, melhor.

Ele disse: "eu sou da Bolívia e estou em um hotel, podemos ir

pra lá?". Eu concordei, mas meio descontente, porque nem rolou

um papo legal, foi muito fácil. Nem sei explicar, acho que já era

a minha intuição me alertando.

Passamos na recepção da Boate, tudo certinho, ele diz: "vou

chamar um Táxi, eu digo que não precisa, que estou de carro,

vamos juntos ao Hotel, ele gosta e vai me explicando o caminho,

vira aqui, vira ali, quando chego quase perto da Rodoviária, perguntei a onde ficava esse hotel, e ele me aponta, hotelzinho perto

de rodoviária??? Por alguns instantes pensei, que trabalho louco!

Ontem eu estava no The Royal Palm, e hoje nesse hotelzinho

chinfrim, mas o que importa é a companhia, espero que ele me

trate bem.

Guardo o carro em uma garagem do outro lado da rua, com

cerca de arame, um horror! Mas vamos lá, ele pega na minha mão

e me apresenta ao porteiro como se eu fosse sua esposa. Credo!

Subimos as escadas, o hotel nem elevador tinha. Meio ressabiada, entrei no quarto, era bem simples, mas parecia estar limpo, sou bem observadora com essa questão de limpeza, já recla-mei em vários motéis. Ele afoito, começou a tirar a minha roupa.

Ele não me atrai, nada ali me atraia, mas eu sou uma profissional

e nem sempre vou ter boas surpresas. Ele me joga na cama, me

come de frente, de costas, de lado, e eu preocupada se estou incomodando os vizinhos, porque não sei fazer sexo em silêncio.

Ele goza e dorme. Estava uma noite fria, eu avisto um cobertor e puxo para nos cobrir.

Fico ali, pensando na minha vida e observando aquele lugar

simples, que nada combinava com nada, tento relaxar, mas não

consigo, me viro e ele acorda, me pega e começa tudo de novo! De

frente, de lado, de costas, aff... Ele goza novamente e dessa vez dor-

me e ronca muito alto. Eu sentia muito sono, mas já era 3h30min

da madrugada, o horário já havia vencido fazia tempo, mas eu não

fico olhando no relógio, acho desagradável, e ele ronca.

Resolvi tomar um banho, coloquei a minha roupa, e olho do

lado da cama, ali estava o dinheiro que combinamos, eu sabia

que aquele dinheiro era meu, mas eu não tinha coragem de pegar,

mesmo sabendo que era para me pagar. A chave estava na porta e

pensei, se eu fosse outra, já tinha vazado faz tempo. Mas a trouxa

da Suzy, resolve acordar o Boliviano, para se despedir e receber,

quando ele me pega pelo braço e quer tirar a minha roupa para

transar de novo. Eu digo que nãooo!!! Já era alta madrugada, eu

não morava na cidade, e já tinha dado o horário faz tempo!!! Ele

ficou nervoso, disse que eu falei que passaria a noite inteira até às

8h do outro dia. Eu disse isso????? Você esta agindo de má fé! Ele

grita e faz que vai chorar, senta na cama e pede para que eu fique

até o outro dia, eu explico que não posso.

Ele fica calado, pega o dinheiro que estava do lado da cama

e o devolve para sua carteira. E me manda ir embora. Nossa!!!

Eu não acredito!!!! E pergunto: "Você não vai me pagar o combinado???". Ele diz "não!!! Vai embora sua Vagabunda!". Eu fico

cega de ódio e digo que eu fui honesta com ele, o dinheiro ficou

o tempo todo ao lado da cama, e que eu poderia ter pegado e

ido embora porque eu trabalhei, fiz sexo de todas as formas e o

horário já havia vencido.

Vagabunda? Mas honesta! E você? Eu poderia dar um escândalo, quebrar tudo, como muitas fazem. Ele pega uma das notas,

amassa, e joga no chão, Eu, indignada com o gesto do sujeito,

não achei justo passar por tanta humilhação. Eu olhando para

ele disse, eu não estou passando fome, fique com o seu dinheiro,

com certeza você está precisando muito mais do que eu, até precisou me enganar para poder me comer! Do contrário, eu jamais

olharia pra você, EU NUNCA passaria a noite inteira! VOCÊ É

NOJENTO!

Não satisfeita, penso: mas eu não fiz nada? Mas eu tenho pa-

vor de baixaria, eu sou uma mulher fina, mas quer saber!? Vou

descer do salto! Volto e GRITO: Vou falar para o porteiro que

eu não sou sua esposa!!! Que tonta eu.

Desci as escadas que nem enxergava os degraus, a porta de

vidro estava fechada, o porteiro todo gentil me oferece uma água

ou um café, eu digo que quero sumir daquele lugar ridículo, o

porteiro não era nada bobo e com ar de riso, me perguntou, o

quanto eu cobrava. Eu olhei feio e saí furiosa, nem respondi, não

tinha cabeça, fui pegar o carro, quem abre aquele portão? Definitivamente, não era uma noite de sorte! Resolvo bater no hotel

do lado, para saber quem pode abrir e o recepcionista diz que

o mocinho que fica com a chave está dormindo, eu não quero

saber!!! Eu moro em Indaiatuba e preciso ir embora AGORAAAA!!!! Ele percebe que não estou bem, o moço do hotel pede que

eu tenha calma e chama o rapaz, que veio bem sonolento abrir o

portão pra mim.

Ligo o carro e saio rasgando! Naquele momento eu me arre-

pendia em ser honesta, senti revolta e raiva em ser do jeito que

eu sou.

No caminho eu choro...


Suzy Vieira


(No outro dia me surpreendi com as pessoas, ganhei o que

não era esperado, fui tão abençoada e recompensada, que me fez

refletir e pensar, que eu não tenho que mudar. Depois desse fato,

quase não fui muito mais à boate, e se eu fosse seria para curtir a

banda Programa? Só com adiantamento.)

 
 
 

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