O Arrependimento
- Suzy Vieira
- há 4 dias
- 5 min de leitura
Caros amigos, eu gostaria de estar aqui só para contar coisas boas e lindas histórias, mas infelizmente, nem sempre
é assim.
Em uma noite gostosa, eu resolvo ir trabalhar na Boate. Peço
uma água tônica com limão, eu sempre peço a mesma coisa.
Nunca bebo em serviço, gosto de saber o que estou fazendo.
Curto a banda, não chego em ninguém. Penso que o homem
gosta de caçar e não de ser caçado. Fico sempre na minha.
De repente, um moreno se aproxima e fica me secando, eu
olho para ele e penso, será mexicano? Argentino? Boliviano? Porque em minha opinião, todos têm a mesma cara.
Ele puxa conversa. Se tratava de um boliviano. Ele faz algumas perguntas, como qual o meu nome? Se eu trabalho na
casa e como funciona? Eu explico: é $$ por 2 horas, mais a
comanda que custa $ e mais uma água tônica, porque foi só o
que eu consumi.

Nessa Boate ninguém ganha por bebida ou por fazer alguém
beber, cada um paga o que consome e se tirar a mulher, paga a
comanda e o que ela consumiu.
Como eu não bebo, não dou prejuízo, e como eu não tenho
saco para aturar bêbado, quanto antes sairmos da casa, melhor.
Ele disse: "eu sou da Bolívia e estou em um hotel, podemos ir
pra lá?". Eu concordei, mas meio descontente, porque nem rolou
um papo legal, foi muito fácil. Nem sei explicar, acho que já era
a minha intuição me alertando.
Passamos na recepção da Boate, tudo certinho, ele diz: "vou
chamar um Táxi, eu digo que não precisa, que estou de carro,
vamos juntos ao Hotel, ele gosta e vai me explicando o caminho,
vira aqui, vira ali, quando chego quase perto da Rodoviária, perguntei a onde ficava esse hotel, e ele me aponta, hotelzinho perto
de rodoviária??? Por alguns instantes pensei, que trabalho louco!
Ontem eu estava no The Royal Palm, e hoje nesse hotelzinho
chinfrim, mas o que importa é a companhia, espero que ele me
trate bem.
Guardo o carro em uma garagem do outro lado da rua, com
cerca de arame, um horror! Mas vamos lá, ele pega na minha mão
e me apresenta ao porteiro como se eu fosse sua esposa. Credo!
Subimos as escadas, o hotel nem elevador tinha. Meio ressabiada, entrei no quarto, era bem simples, mas parecia estar limpo, sou bem observadora com essa questão de limpeza, já recla-mei em vários motéis. Ele afoito, começou a tirar a minha roupa.
Ele não me atrai, nada ali me atraia, mas eu sou uma profissional
e nem sempre vou ter boas surpresas. Ele me joga na cama, me
come de frente, de costas, de lado, e eu preocupada se estou incomodando os vizinhos, porque não sei fazer sexo em silêncio.
Ele goza e dorme. Estava uma noite fria, eu avisto um cobertor e puxo para nos cobrir.
Fico ali, pensando na minha vida e observando aquele lugar
simples, que nada combinava com nada, tento relaxar, mas não
consigo, me viro e ele acorda, me pega e começa tudo de novo! De
frente, de lado, de costas, aff... Ele goza novamente e dessa vez dor-
me e ronca muito alto. Eu sentia muito sono, mas já era 3h30min
da madrugada, o horário já havia vencido fazia tempo, mas eu não
fico olhando no relógio, acho desagradável, e ele ronca.
Resolvi tomar um banho, coloquei a minha roupa, e olho do
lado da cama, ali estava o dinheiro que combinamos, eu sabia
que aquele dinheiro era meu, mas eu não tinha coragem de pegar,
mesmo sabendo que era para me pagar. A chave estava na porta e
pensei, se eu fosse outra, já tinha vazado faz tempo. Mas a trouxa
da Suzy, resolve acordar o Boliviano, para se despedir e receber,
quando ele me pega pelo braço e quer tirar a minha roupa para
transar de novo. Eu digo que nãooo!!! Já era alta madrugada, eu
não morava na cidade, e já tinha dado o horário faz tempo!!! Ele
ficou nervoso, disse que eu falei que passaria a noite inteira até às
8h do outro dia. Eu disse isso????? Você esta agindo de má fé! Ele
grita e faz que vai chorar, senta na cama e pede para que eu fique
até o outro dia, eu explico que não posso.
Ele fica calado, pega o dinheiro que estava do lado da cama
e o devolve para sua carteira. E me manda ir embora. Nossa!!!
Eu não acredito!!!! E pergunto: "Você não vai me pagar o combinado???". Ele diz "não!!! Vai embora sua Vagabunda!". Eu fico
cega de ódio e digo que eu fui honesta com ele, o dinheiro ficou
o tempo todo ao lado da cama, e que eu poderia ter pegado e
ido embora porque eu trabalhei, fiz sexo de todas as formas e o
horário já havia vencido.
Vagabunda? Mas honesta! E você? Eu poderia dar um escândalo, quebrar tudo, como muitas fazem. Ele pega uma das notas,
amassa, e joga no chão, Eu, indignada com o gesto do sujeito,
não achei justo passar por tanta humilhação. Eu olhando para
ele disse, eu não estou passando fome, fique com o seu dinheiro,
com certeza você está precisando muito mais do que eu, até precisou me enganar para poder me comer! Do contrário, eu jamais
olharia pra você, EU NUNCA passaria a noite inteira! VOCÊ É
NOJENTO!
Não satisfeita, penso: mas eu não fiz nada? Mas eu tenho pa-
vor de baixaria, eu sou uma mulher fina, mas quer saber!? Vou
descer do salto! Volto e GRITO: Vou falar para o porteiro que
eu não sou sua esposa!!! Que tonta eu.
Desci as escadas que nem enxergava os degraus, a porta de
vidro estava fechada, o porteiro todo gentil me oferece uma água
ou um café, eu digo que quero sumir daquele lugar ridículo, o
porteiro não era nada bobo e com ar de riso, me perguntou, o
quanto eu cobrava. Eu olhei feio e saí furiosa, nem respondi, não
tinha cabeça, fui pegar o carro, quem abre aquele portão? Definitivamente, não era uma noite de sorte! Resolvo bater no hotel
do lado, para saber quem pode abrir e o recepcionista diz que
o mocinho que fica com a chave está dormindo, eu não quero
saber!!! Eu moro em Indaiatuba e preciso ir embora AGORAAAA!!!! Ele percebe que não estou bem, o moço do hotel pede que
eu tenha calma e chama o rapaz, que veio bem sonolento abrir o
portão pra mim.
Ligo o carro e saio rasgando! Naquele momento eu me arre-
pendia em ser honesta, senti revolta e raiva em ser do jeito que
eu sou.
No caminho eu choro...
Suzy Vieira
(No outro dia me surpreendi com as pessoas, ganhei o que
não era esperado, fui tão abençoada e recompensada, que me fez
refletir e pensar, que eu não tenho que mudar. Depois desse fato,
quase não fui muito mais à boate, e se eu fosse seria para curtir a
banda Programa? Só com adiantamento.)
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